sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Sobre aquilo que nos estarrece e cala

Na última segunda-feira o corpo de uma menina de cinco anos foi encontrado na calçada, em Arraial do Cabo, cerca de 160 quilômetros do Rio de Janeiro. A perícia apontou sinais de violência e, ao que tudo indica, a garota foi abusada sexualmente e morreu sufocada por um saco plástico. A mãe da garota havia saído com ela para uma festa e quando voltou do banheiro, não encontrou mais a filha. Ninguém viu nada.
Na mesma semana, o caso mais divulgado era o da menina que dividiu uma cela com homens no Pará. O delegado que a manteve presa, alegou que a menina devia ter algum tipo de debilidade mental por não ter falado em nenhum momento que era menor de idade.
Nos dois casos percebemos a facilidade que é cometer um crime e corromper o sistema: a impunidade já se tornou perigosamente comum. No país de Renan Calheiros, fica fácil se desculpar, esconder, dar um “jeitinho”. Não sabemos ao certo quem pagará por esses e tantos outros crimes que vemos nos jornais todos os dias.
O pior disso tudo é que apenas nos indignamos com aquilo que vemos. E o que chega até a população é justamente aquilo que alguém tem interesse que tenhamos conhecimento. A tal da Agenda Setting, fruto de nosso jornalismo tão parcial e que nos manipula sem que possamos nos dar conta. Amanhã ninguém mais vai se lembrar das mulheres no Pará, dos apagões aéreos, de casos como o do menino João Hélio, de senadores que nos roubam...
Engana-se quem pensa que o que acontece no mundo se vê pela televisão, que para se informar, basta ler mais de um jornal, a revista do mês e discutir assuntos relevantes da semana no trabalho. A verdade está muito mais perto, escancarada nas portas de nossas casas, no mendigo que te pede esmola, na falta de troco do comércio, nas pessoas furando filas, no professor que falta a aula. Só não vê quem não quer.
Bastou a crise aérea ser divulgada para uma série de reportagens especiais serem veiculadas sobre o assunto. Na mesma época, algumas mulheres estavam lá no Pará sofrendo em celas masculinas, mas ainda não era conveniente falar sobre esse assunto. Agora, enquanto você lê este texto, tem várias crianças sofrendo abusos, mães perdendo filhos, jovens dirigindo embriagados, gente sem ter o que comer e políticos realizando alguns acordos que futuramente causarão algumas CPIs. Para quem viveu de perto qualquer uma dessas notícias a realidade não é a de estatísticas. São vidas em jogo. À população, resta esperar para saber quais assuntos estarão em voga para que ela cumpra depois o seu papel demonstrando a sua indignação, seja por meio de discussões, seja por movimentos de uma elite que se diz “cansada”. O jornalismo inventou um sistema que vende: nos entretém (muitas vezes chocando) com histórias da vida real, que ainda assim de alguma forma temos distância, mas pára no momento em que a realidade começa a se aproximar demais.

Comércio da Pesada 2: uma continuação de arrepiar

Tenho certeza absoluta que ao ler esse título, alguns filmes passaram pela sua cabeça, todos eles narrados pela emocionante voz das chamadas da sessão da tarde. Pois bem, falemos deste assunto tão revoltante. Não a sessão da tarde, embora às vezes possamos nos perguntar porque uma emissora como a Globo não é capaz de apresentar uma variação decente de filmes para passar em suas tardes. Natal chegando, já podemos nos preparar para assistir Macaulay Culkin estrelando em Esqueceram de Mim (Home Alone) ou uma de suas continuações, onde "uma criança muito esperta vai aprontar confusões que até Deus duvida!". Talvez, se dermos sorte, também poderemos acompanhar uma "aventura alucinante de dois jovens perdidos numa ilha no maior apuro", em A Lagoa Azul (The Blue Lagoon) ou De volta à Lagoa Azul (Return to the Blue Lagoon), que contam praticamente a mesma coisa. Ou ainda podemos ser premiados com "uma emocionante história de amor e paixão que vai além da morte", com Ghost - do outro lado da vida (Ghost).
Apesar de estarmos de saco cheio de ver esses filmes, não é o que mais me incomoda. Primeiramente, é chocante ver como os tradutores realizam mal e porcamente seu trabalho, colocando nos filmes nomes toscos e que ridicularizam as obras. É algo como transformar Ferris Bueller's Day Off em Curtindo a Vida Adoidado, ou Step Up em Ela Dança, Eu Danço, só porque o funk quase homônimo de Mc Leozinho estava no auge. Mas o pior aconteceu com o filme My Girl, que ganhou em português o nome de Meu Primeiro Amor. Ótimo. Lançaram a continuação, e como ficou a tradução? Meu Primeiro Amor - Parte 2, o que não faz o menor sentido para quem conhece a história e sabe que a personagem Vada se apaixona por dois garotos diferentes nos filmes. Seria melhor que arcassem com as conseqüências de um ridículo Meu Segundo Amor.
Outra coisa lamentável que ocorre no Brasil são os subtítulos completamente dispensáveis que se adicionam a longas que, em seu nome original, não apresentam nada. Para quê transformar um simples 1941 em 1941 - Uma guerra muito louca? É muita vontade de ver algo ser tratado pejorativamente. E não podemos deixar de falar do que a obsessão comercial faz com os diretores, roteiristas e produtores que só pensam em dinheiro e esquecem completamente a qualidade. Estou me referindo às continuações sem sentido que por vezes estragam clássicos como O Exorcista, Sexta-feira 13, Jogos Mortais, Todo Poderoso e outros tantos filmes que viram suas obras sendo sucateadas com as seqüências.
Será que a criatividade dos cineastas se esgotou? Quantos filmes terão que ter seus nomes manchados com continuações fajutas para que se perceba que isso não dá certo? Linda Blair, imortalizada como "a menina do Exorcista", chegou a atuar em uma paródia do próprio filme que a indicou ao Oscar. A Repossuída mostra claramente como os filmes são banalizados pelo comércio: o maior clássico do terror de todos os tempos se transformou numa comédia pastelão. Outro dia tive o desprazer de assistir Eu Sempre vou Saber o que Vocês fizeram no Verão Passado, que "fecha" a trilogia começada em Eu Sei. É tanta porcaria junta que só uma coisa me resta dizer a respeito do que se tem feito no cinema: é lamentável.

Serra abaixo

Minha avó sempre me disse que, quando passamos dos 20, os anos descem a serra voando e quando você percebe já está trintando. Ainda estou um pouco longe disso, mas, à beira dos 21, começo a lembrar de tudo que vivi e confesso: como o tempo passou rápido!
Parece que foi ontem que, prestes a fazer 18 anos, fui para Porto Seguro de excursão, longe dos olhos e dos cuidados de qualquer adulto. Sensação de liberdade descompromissada; só precisava me preocupar em administrar bem meu dinheiro com os passeios e com as bebidas. Depois veio a formatura: responsabilidade das grandes! Não é fácil organizar um acontecimento desses para mais de 300 pessoas, tanto que não soube dosar essa responsabilidade com as outras: estudo e até mesmo aproveitar a própria festa.
Vivendo e aprendendo! E por falar em aprender, não dá para esquecer a fase do cursinho. Todos deveriam passar por ela. Tudo se resume em duas palavras: crescimento e maturidade. São amizades novas, incertezas que colocam à prova sua vontade de conseguir e a necessidade de abrir mão de algumas coisas para se conseguir aquilo que deseja. É só nessa fase que muitos descobrem que a vida não é fácil, que ela é feita de escolhas e que “cada escolha é uma renúncia”, como já diziam nossos amigos do Charlie Brown Jr..
Vitória! Aí descobrimos que alguns sacrifícios valem a pena. Como é gratificante receber “parabéns, você passou no vestibular”! Melhor ainda é entrar nesse mundo totalmente novo que é a universidade, onde as amizades são diferentes, a forma de ver as coisas é diferente, enfim, uma chuva de novidades que nos adaptamos rapidamente e que ficamos até tristes quando pensamos que um dia ela vai acabar. Porque só universitário economiza no ônibus para compensar na cerveja, dá o nome de churrasco para uma festa sem carne, vai para a aula virado depois de uma festa e tira foto de “bundas”, em frente a um bar, sem vergonha daqueles que estão olhando. O universitário não tem medo de “fazer feio”. O universitário faz e acontece.
Fase boa essa! Mas é a época em que começamos a olhar mais para nós mesmos e pensar em nosso futuro. É a hora que bate aquele medo de não conseguir ser “gente grande” e assumir todas as responsabilidades que nos aguardam. Há um abismo enorme que separa o adulto seguro do que quer da criança com medo de dar o primeiro passo e cair, não ir adiante.
Se a serra tivesse descido mais um pouquinho, eu iria dizer que essa é a conhecida “crise da meia-idade”. Mas não. É aquela época do ano em que você, novamente, faz um balanço do que aconteceu, se lamenta por algumas coisas, fica satisfeito com outras e já começa a planejar o próximo ano. Acha que está ficando velho, que as coisas no seu tempo eram melhores e se gaba por ter boas histórias para contar para os netos. Mas como isso ainda está longe de acontecer, você desliga o computador, sai de casa e vai para a mesa de um bar. Afinal, filosofar também é coisa de universitário e você ainda precisa de histórias para contar, pois ainda tem muita serra pela frente.

Leave celebrities alone

O vídeo do adolescente emo que grita e chora pedindo que a mídia deixe Britney Spears em paz (http://www.youtube.com/watch?v=kHmvkRoEowc) pode parecer ridículo, mas ele tem o seu valor ideológico. O nível de perseguição da mídia atrás das celebridades tem ficado cada vez mais absurdo. Nenhuma ausência de calcinha (http://popdish.com/wp-content/uploads/2006/12/blog_1203_1.jpg), nenhum tapinha na pantera (http://www.celebritysmackblog.com/wp-content/uploads/2007/08/lilyallen09834945.jpg), nenhuma fantasia sexual filmada (http://www.smh.com.au/ffximage/paris_hilton_narrowweb__300x191,2.jpg) passa despercebida pelos repórteres de revistas de fofoca.
As matérias sobre escânadalos envolvendo artistas têm superado em muito o número de comentários e críticas a respeito de suas respectivas formas de arte. É interessante pensar como viveriam personalidades polêmicas como Billie Holiday e Janis Joplin nos dias de hoje. Será que uma ex-prostituta, cantora talentosa, conseguiria alcançar o reconhecimento de Billie Holiday? Ou seus escândalos pessoais encobririam seu talento como vem acontecendo com Amy Winehouse?
A imprensa brasileira ainda é mais discreta quanto a esse lado da vida das celebridades. E com certeza não é porque os artistas brasileiros são mais comportados.

Violência urbana?


A violência que contaminou os grandes centros e amedronta a toda essa população, agora se espalha pelas pequenas cidades em proporções assustadoras. Assaltos à mão armada, investigações pela Polícia Federal, assassinatos, tráfico, lavagem de dinheiro e emboscadas para policiais. Cenário de grandes centros? Não mais...
Na madrugada de terça-feira (27), uma viatura da Polícia Militar de Campos Gerais, no sul de Minas Gerais, foi atingida por tiros ao ser chamada para atender uma ocorrência de furto em um bairro afastado da cidade. Segundo os militares, eles foram surpreendidos ao encontrar a estrada bloqueada com galhos de árvores. Os três policiais que estavam no carro não ficaram feridos, no entanto, o crime chocou a cidade de cerca de 26 mil habitantes.
E esse não é o único caso assustador da pequena cidade. A população ainda reclama de falta de segurança na zona rural, onde assaltos de maquinários, produtos agrícolas e animais são freqüentes, e na cidade, onde cada vez mais comércios e casas sofrem com o mesmo problema e, não raramente, à mão armada.
Que a violência não mais escolhe suas vítimas, já se sabe. Que a situação está inaceitável, mais ainda. Que algo precisa ser feito para mudar essa situação caótica, é o que todos pensam. Mas o que fazer? Como agir? Se nos grandes centros a polícia treinada e acostumanda a lidar com casos assim, infelizmente não consegue soluções efetivas, que chances existem para policiais de pequenas cidades, com menos treinamentos e menor infra-estrutura?
Por outro lado, toda essa realidade me leva a uma outra reflexão. Se nas cidades grandes o fato de existirem muitas pessoas para poucas oportunidades, grandes desigualdades sociais e pessoas vivendo em condições sub humanas favorecem o caos, qual a explicação para tamanha violência nessas cidades pequenas, onde o estudo público ainda funciona, as lavouras ainda conseguem acolher toda a mão de obra disponível na cidade e a força católica – e portanto solidária – ainda permanece viva?
O que parece é que, algumas pessoas, passaram a achar mais fácil e digno roubar o do outro do que conseguir o seu. Há uma total inversão de valores. Não é mais a polícia quem faz emboscada para bandido: são bandidos quem armam contra os policiais. Hoje em dia é legal ser da “turma do mal” enquanto é careta fazer o bem e agir de acordo com os princípios morais e legais.
Situações preocupantes e alarmantes, visto que ser um “fora da lei” hoje significa chegar ao sucesso primeiro, não receber nenhuma punição pelos atos cometidos e ainda ser popular na comunidade que domina. A única coisa a se dizer é o óbvio: se nada for feito para melhorar as condições em que estamos vivendo, o futuro será ainda pior.

Reflexões Natalinas

O final do ano já chegou e as pessoas estão correndo para as lojas com o intuito de fazer as compras de Natal. Todos esperam o tão famoso décimo terceiro para fazer seus investimentos. O comércio de Juiz de Fora já anunciou que fará um horário especial a partir do dia oito de novembro.
É engraçado o movimento frenético nas principais ruas da cidade, as horas extras das lojas e o desânimo dos vendedores. Eles não disfarçam em nenhum momento que estão ali por obrigação e porque também querem seu décimo terceiro. Os donos de loja fazem maratonas malucas e obrigam os empregados a quase duplicar as horas de trabalho.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Silas Batista, pelo menos deu uma boa notícia aos empregados: disse que parte do serviço desse período será pago em espécie e a outra compensada em folgas no carnaval e no dia do Comerciário.
Outra coisa interessante é a atividade da polícia. Durante o ano todo, no centro da cidade acontecem as mais estranhas ocorrências, mas nos meses finais, a guarnição manda mais soldados às ruas para garantir o faturamento das lojas e dos supermercados.
A prefeitura - alvo de tantas denúncias - espalha nas periferias enormes placas para destacar as providências que foram tomadas durante o ano sendo que, nesse período, as ruas ficaram esburacadas, muitas pessoas se rebelaram contrárias aos aumentos abusivos do preço das passagens de ônibus, contra a insegurança da cidade e permaneceram indignadas com a ineficiência dos burocratas que trabalham neste município.
Ninguém ainda se lembra das manifestações de estudantes, dos atropelamentos, da falta de médicos no Pronto Socorro, dos assaltos, das brigas de gangues, das rebeliões na penitenciária... Existem ainda as reclamações feitas ao Governo Federal. Quem está comentando sobre o projeto Bolsa Família? Quem ridiculariza as falas metafóricas do presidente? Onde estão aqueles que serão responsáveis por votar a prorrogação da CPMF?
Poucos se recordam que esse é um momento de mudanças, uma hora de repensar os erros e tentar ser diferente no ano que virá. Essa é a oportunidade de buscar coisas novas e de tentar mudar. Não é uma provocação, mas um empenho que todos devem ter como meta no ano que vem.
Pode ser que depois de sair de 2007 as coisas mudem e a gente consiga ser premiado com um Brasil mais justo. Ano que vem a gente discute mais porque agora tenho que comprar a boneca da Mariazinha, a bola do Joãozinho, a toalha de mesa da D. Joana, o brinco da Estela...

Eu Te Amo Não Diz Tudo

Um dos grandes problemas da internet como fonte de informações é o caráter duvidoso do conteúdo que circula na rede. Eu, por exemplo, estava procurando uma mensagem de aniversário para enviar a um amigo e acabei encontrando uma crônica, supostamente escrita por Arnaldo Jabor, chamada “Eu te amo não diz tudo”. Claro que não posso garantir que seja mesmo ele o autor da crônica, mas digo sem dúvidas que poderia ser.
A princípio parece que a crônica fala sobre relações de casais. É quase como discutir a relação lendo Arnaldo Jabor. O fato é que “Eu te amo não diz tudo” nos alerta para a inutilidade de um discurso vazio de atitudes. “Mas ouvir que é amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros.”. Esse é o grande mote da crônica: a diferença entre palavras de amor e atitudes de amor.
Embora eu ache interessantíssimo discutir relações de amor, esse texto me chamou a atenção para uma posição política muito brasileira. Eu amo o meu país, do mesmo modo que eu odeio corrupção não diz tudo. A sociedade brasileira tem cada vez mais discursos vazios de atitudes. O político é ladrão, corrupto e não tem um só brasileiro que já não tenha feito um discurso inflamado, uma única vez que seja, contra um escândalo de corrupção ou outro.
A alta cúpula do governo esteve envolvida até o pescoço em fraudes e irregularidades. Daí vêm todos os discursos contra corrupção e imoralidades administrativas. Mas e as atitudes de indignação? Onde ficam? E eu não estou falando de atitudes contra corruptos, e sim contra a corrupção. Por que os políticos não desviariam tanto dinheiro, se eles fazem parte de uma sociedade que não consegue enfrentar uma simples fila sem cometer alguma fraude?
Com a reabertura do Restaurante Universitário as filas para compras de tickets estavam quilométricas. Os universitários, “elite intelectual” do país, não foram capazes de enfrentar a fila sem fraude e sem desrespeito aos direitos dos colegas. Imagina se fossem políticos? Mas o pior de tudo é a falta de um olhar atento para a situação: Você está achando que é esperto porque levou vantagem sobre quem estava na sua frente? Antes de se achar muito bom lembre-se: O Brasil está cheio de espertos melhores que você passando na frente dos seus direitos de cidadãos todos os dias. Enfim, antes de dizer eu te amo, ame.

Pós-moderno, eu?

A modernização das sociedades acontece naturalmente. Ou pelo menos deveria acontecer. O cotidiano tem o dom de criar, por si só, atitudes e conceitos novos que são, no real sentido da palavra, modernos. Porém, após a Revolução Industrial, com o advento do capitalismo e da vida urbana, a palavra modernização parece ter caído, literalmente, “na boca do povo”.
As mudanças aceleradas e contínuas transformam valores, crenças e padrões com a mesma velocidade com que pisco os olhos. Na verdade, atualmente, quando piscamos já perdemos detalhes de uma nova alteração. Tudo aponta para a captação do passageiro, desde a tecnologia até o próprio homem. O tempo se impõe como desafio e tentar fixar o efêmero se torna objetivo de um indivíduo para superar a angústia de perceber que tudo muda sem que ele ao menos possa participar.
Não nego que me sinto assim e que sou filho dessa época em que nem o tempo consegue nos fazer entender as coisas, pois ele também está com pressa. Por isso lanço a pergunta: por que modernidade? Se tudo que é novo é moderno, se cada dia traz uma inovação, por que chamar um período de modernidade? Os entendidos do assunto dizem que esse período já passou e que somos pós-modernos. Eu nego e me recuso a aceitar. Se não consigo ao menos acompanhar essa infinita imposição de novidades, modernidades, não quero nem pensar no que seriam as pós-modernidades. Tenho medo.
Tudo isso no mínimo me confunde. A discussão recomeçaria se todos os argumentos fossem novamente expostos. Talvez seja esse o destino de uma sociedade em que a mudança se tornou um aspecto de sobrevivência: viver num eterno paradoxo.

Grande Miss Sunshine


A história se inicia com a apresentação dos personagens em sua atividade mais marcante, o que eleva a clareza narrativa. Olive, a garotinha da família, se exercita frente à TV assistindo a um concurso de Miss; Dwayne, o filho calado, faz em seu quarto seus exercícios diários; Richard, o ‘homem de sucesso’, dá aula sobre as regras de como ser bem sucedido e que não são tão reconhecidas; Cheryl, a mãe agitada, fuma enquanto dirige; Edwin, o vovô moderno, se droga no banheiro; e, por fim, Frank, o tio depressivo, está num momento de crise. De certa forma, essa introdução me fez lembrar ‘O Fabuloso Destino de Amelie Poulain’, onde os personagens são apresentados com seus respectivos gostos acompanhados de uma trilha sonora sensacional. Sim, a trilha que acompanha esse início de filme é perfeita!
Acompanhando o ritmo do longa temos a impressão de que vamos matar Richard, implorar para que Dwayne fale, torcer para que o vovô solte mais uma de suas pérolas e para que Olive faça suas performances nada convencionais. De tanto nos sentirmos incomodados, a cada situação que aparece soltamos uma leve gargalhada. O filme é um drama-comédia meio trágico adorável para assistir quando estivermos nos sentindo para baixo. Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, o longa, mesmo tendo sido produzido com pouca verba, surpreende pela originalidade e não deixa desejar na continuidade, nos ambientes e nas atuações. A história de Olive e sua família não pedem diferente do que presenciamos, o roteiro pede justamente essa sutileza, essa simplicidade, dotada de grandes sacadas. ‘Pequena Miss Sunshine’, apesar do nome, trata da essência acima das regras de sucesso que venham a fazer parte de nossas vidas ou acima de qualquer defeito que venham a jogar em nossas caras. A perua organizadora do concurso, que tanto Olive quis participar, perdeu a chance de premiar a integrante de uma das mais brilhantes famílias americanas retratadas no cinema.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A derrota dos livros no Brasil

Muito se tem discutido acerca da educação em nosso país. Críticos questionam o fato de grande parte do orçamento disponível ser gasto com o Ensino Superior, em detrimento do Ensino Fundamental, que é a base da pirâmide educacional e onde está a maior parcela da massa estudantil nacional. Apesar dos altos investimentos nas universidades, o Brasil não é reconhecido mundialmente por sua capacidade em formar cientistas e elaborar pesquisas. Além disso, não temos entre a maioria de nossos estudantes um interesse acadêmico. Todos querem se formar, sair da faculdade e arranjar um emprego sólido “lá fora”. Os jovens estudam para passar no vestibular e arranjar um bom trabalho. Somos guiados pela lógica do trabalho. Todos admitem a importância do estudo nos dias de hoje, mas com uma visão mercadológica, afinal quem não estuda perde a vez no mercado, cada vez mais concorrido. Poucos são os que se dedicam ao estudo como forma de obter conhecimento e crescimento humano. A taxa média de leitura entre a população brasileira está entre as menores do mundo. Percebemos, logo, que o Brasil não possui um pensamento cultural arraigado entre sua população.
Primeiramente, devemos dizer que o brasileiro não possui uma cultura letrada. Somos o povo da telenovela. Grande parte da população prefere se informar assistindo Jornal Nacional a ler um jornal impresso. O processo audiovisual é mais prático e de fácil assimilação. Não exige comprometimento total. Podemos assistir TV ao mesmo tempo em que telefonamos, conversamos com a mãe, ou fazemos qualquer outra coisa. A leitura exige quase que total exclusividade. Outro fator que impede o crescimento do hábito de leitura é o preço abusivo dos livros, inacessíveis à maioria da população. Outra vez, ponto para a TV, presente em mais de 90% dos domicílios. Por que comprar um livro se a televisão também oferece entretenimento, e ainda por cima gratuito? Por essas e outras que, em um recente estudo sobre hábitos de leitura, o Brasil ocupou a 27º posição entre 30 países, pois o brasileiro dedica-se apenas 5,2 horas semanais à leitura.
Portanto, vemos que a falta de vontade de ler é, sobretudo, um problema cultural em nosso país. Com a universalização do acesso à internet, a leitura pode se tornar um hábito mais comum nas residências. O conteúdo disponível na rede é imenso, atingindo todos os tipos de gostos e anseios que o internauta possa ter. Entretanto, apenas a disponibilização de conteúdo não é suficiente para insuflar o hábito da leitura. Para que isso ocorra, é necessário uma mudança de visão desde a infância. Ao invés de darmos bonecas e carrinhos de presente para nossos filhos, por que não damos livros com historinhas ilustradas? Por que não nos sentamos com eles para ler, ao invés de sentarmos para jogar videogame? Assim, eles se acostumariam desde cedo com os livros, tornando-se adultos letrados e mais intelectualizados. Essa seria a melhor maneira de promover a leitura e incorporá-la à nossa cultura.

Não desperdice a paz Inter-tribal

Qual é a razão para tanto ódio? Os angolanos, como é de conhecimento de todos, tiveram trinta anos de guerra depois da independência de Angola... Há poucos anos fizeram a paz e reconhecerem-se enquanto irmãos! Hoje, todo mundo está de boca aberta perante os impulsos da sociedade angolana na senda mundial. Angola representou o nosso orgulho (PALOP` S E AFRICANO) no mais recente mundial de futebol da Alemanha! Os angolanos reconheceram e promoveram o diálogo e o respeito recíproco como lema e isso foi fundamental para se fazer mexer com as vontades dos filhos da nação, visando participação na construção de uma nação forte, independente e feliz... Não obstante o muito que ainda está por fazer! Enquanto isso acontecia e acontece em Angola, os guineenses, vivendo as angústias de "DIMINGO DJAMANO", caçando uns aos outros e deitando as carnes, produtos das caças, para valas comuns! É urgente parar com estas atrocidades contra os irmãos, avançar com iniciativas que visam unir os guinenes e não o contrário! É urgente a quem de direito, fazer-se ouvir sobre as graves denúncias agora tornadas públicas! É urgente que, para além dos BALANTAS, que os outros filhos da Guiné de diferentes etnias, igualmente, se sintam representados pelos órgãos de soberania nacional! É urgente acabar de vez com a hipocrisias, iguismos sectaristas e ingenuidades de algumas pessoas, provocadores incontidos do mal que poderá abalar a paz que a sociedade conseguiu preservar ao longo de vários séculos, que nem as políticas divisionistas dos colonialistas conseguiram perturbar. Basta um pouco de consciência para motar da gravidade da situação, se quiserem exemplos, é só olhar para vossa volta na Sub-Região.

O que queremos para o final do ano?

O final do ano, enfim, chegou. Nos damos conta disso quando saímos de casa e vemos luzes pela cidade, lojas enfeitadas e uma quantidade enorme de “Papai Noel” em todos os cantos.
Aquele espírito de Natal de que tanto ouvimos falar toma conta das pessoas. É nessa época que ficamos solidários e generosos. Compramos presentes para todos os amigos e familiares. Gastamos nossas economias com futilidades que, provavelmente, não servirão para muita coisa. É claro, também resolvemos doar um vinho para o lixeiro. Por que não uma caixa de bombons para a faxineira? E, se o espírito de Natal tiver nos tomado por completo, ainda compramos brinquedos para algum orfanato.
Esse espírito também faz com que as desavenças na família desapareçam. Pelo menos durante o começo da ceia, todos se dão bem. Em nenhum outro momento do ano comemos tantas coisas gostosas em uma só refeição. A decoração da casa completa o espírito que nos envolve. A árvore de Natal cheia de enfeites e presentes. Os guardanapos em vermelho e verde, as taças de cristal e as sobremesas deliciosas dão mais sabor ao clima.
Até planejar uma viagem de férias faz parte da época do Jingle Bells! Mesmo que o dinheiro não permita, dá-se um jeito e vamos para a praia. É aí que o espírito de Natal começa a dar lugar para o espírito do Reveillon. O fim do ano, enfim, parece estar mais próximo.
Ele pode significar alívio para aqueles que sofreram com uma maré de azar em 2007, ou então, saudosismo para quem conseguiu contemplar todos os dias do ano com coisas boas. É nessa época que fazemos um balanço de nossas vidas. Planos para o próximo ano. Listas de coisas que queremos fazer. Mas antes que o ano vire, é necessário rever uma única coisa: é esse o espírito que queremos para as festas de final de ano? É essa aparente bondade que buscamos? É a falsa religiosidade escondida por trás de um consumo exagerado?
Há muito tempo em que a verdadeira intenção das comemorações de final de ano já foi esquecida. O espírito de que tanto ouvimos falar está na TV, nos outdoors e nas vitrines. O Papai Noel não presenteia as crianças que se comportam: filhos mimados ganham brinquedos importados e crianças pobres passam o dia 25 de dezembro, se tiverem sorte, com um presente doado por uma pessoa “caridosa”. É esse Natal que esperamos? Aliás, esperamos essa época para fingirmos que nos preocupamos com o outro?
A esperança para o próximo ano precisa vir acompanhada de ação. É preciso agir para que a esperança e a reflexão tornem-se mudanças reais nas nossas vidas e na sociedade. É preciso acreditar que o espírito de Natal, de fato, existe.
A bondade, a generosidade e a magia fazem parte das celebrações dessa época. Cabe a cada um de nós repensar o que queremos para o final do ano. Mais do que desejos e pedidos para 2008, devemos aproveitar os últimos momentos de 2007. Agradecer pelo que passamos, agradar quem amamos e, sem exageros, participar dos festejos!
“Adeus Ano Velho. Feliz Ano Novo. Que tudo se realize no ano que vai nascer! Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender”.

Natal em Família

Ansiosa para que chegassem as férias, lá estava eu, esperando o resultado final daquele período que parecia não terminar nunca. Diante da aprovação, fui para casa arrumar minhas coisas e de lá para a rodoviária. Afinal de contas, era Natal e eu precisava rever minha família.
De volta ao lar, eu percebia a nítida agitação de meus pais devido à minha chegada. A casa estava cheia e ainda esperávamos a vinda de meus irmãos, primos e tios. Estávamos todos em polvorosa pela véspera do Natal, pois a família inteira iria se reunir para revelarmos o amigo oculto.
Natal em família é sempre tudo a mesma coisa: uma ceia farta, com muito peru e farofa, árvores enfeitadas com presentes, presépios, missa do Galo com encenação do nascimento de Cristo e amigo oculto antes do jantar. Na minha família não é diferente. É por isso que digo que o Natal é a data que mais gosto, posso rever a todos, rir um pouco das minhas tias fofocando e ganhar presente, a melhor parte da festa.
Depois de voltarmos da igreja, chegava a hora de revelar o tão esperado amigo oculto. Hora de presentear e agradar a quem a gente gosta. Hora da típica marmelada, das faces de desaprovação com os presentes que não agradavam, dos gritos de adivinhação de quem tirou quem e de toda a farra que envolve um dia de festa, ainda mais quando esse dia se trata do Natal.
E como todo Natal que se preze, o melhor momento é a ceia. A ceia de Natal é uma forma de reunir muitas famílias pelo mundo todo, é por isso que busco aproveitar até o último minuto a noite de 25 de dezembro. Quando criança, eu sonhava com a data para rever o bom velhinho, agora, a minha vontade é que o dia chegue para que eu possa ver toda a minha família reunida e feliz.
Mas como tudo na vida, o Natal é uma data que passa. E naquele ano o mais difícil foi a despedida. Eu ainda tinha alguns dias em casa até o reveillon, mas depois disso, precisava voltar para Juiz de Fora, pois a ingrata greve faria com que estudássemos em pleno janeiro. E assim se deu. Mais uma vez, eu estava diante de um período que recomeçaria cheio de novidades, juntamente com um ano novo que prometia muitas surpresas.

Gosto de Cereja

O filme de 1997 Gosto de Cereja fechou a mostra do Ciclo de Cinema da Faculdade de Letras cujo tema foi: “Fim das Ideologias?”. Dirigido pelo renomado cineasta iraniano Abbas Kiarostami, nenhum outro longa encerraria tão bem esta mostra como o fez este filme.
Enquanto os outros filmes projetados tratavam basicamente de política, como Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos e Nunca Fomos Tão Felizes, Gosto de Cereja apresentou uma história simples e singular. Baddi quer se matar e procura operários no subúrbio para enterrá-lo. Nesta busca, ele conversa com pessoas que não aceitam o trabalho e, ainda, tentam fazê-lo desistir da idéia.
O que faz o filme ser brilhante para o fim desta mostra é que as opiniões das pessoas referem-se a uma certa ideologia, como a de um seminarista, mas, Baddi não se interessa por elas, inclusive, refuta-as. Até que ele encontra um senhor que aceita o trabalho, no entanto, ele tenta mostrar a Baddi o valor da vida através do cotidiano, das pequenas coisas que na maioria das vezes não são valorizadas. O senhor conta-lhe que também queria se matar, mas que mudou de idéia ao comer uma amora, pois valia à pena viver por seu gosto. Morto, perderia as coisas boas e simples que a realidade oferece.
Não é revelado se Baddi morre no fim do filme, pois ele termina mostrando as filmagens do longa. A intenção de Kiarostami era apresentar uma questão e deixar que o público pensasse seu final, isso mostra a influência do Neorealismo Italiano que não dirigia a visão e a reflexão do espectador, apresentava, apenas, um problema. Outra influência neorealista é a valorização do cotidiano, além dos planos longos e abertos.
Gosto de Cereja é um excelente filme que se encaixa em todos os contextos. E se perguntarem sobre o Fim das Ideologias? Não sei. Na verdade, companheiros e senhores, danem-se Marxs, Beauvoirs e Mao Tse-tungs. Porque o que eu quero mesmo é comer cerejas e amoras na companhia de Kiarostami.

Eles erram, nós choramos.

Quando a MSI assumiu o futebol do Corinthians em 2004, muitos se empolgaram, alguns poucos não se iludiram. Montanhas de dinheiro, craques milionários, promessas de supertimes: o Corinthians vivia o sonho de qualquer clube brasileiro.
Passados três anos, vemos hoje as conseqüências da famosa parceria. Dinheiro sujo, processos na Justiça, vários acusados, presidente deposto, perigo de rebaixamento: o Corinthians vive a maior crise de sua história. Ontem à noite, após a derrota para o Vasco por 1 x 0 em pleno Pacaembu, milhões de corintianos foram dormir com uma certeza: não valeu a pena conhecer a MSI.
Sou vascaíno mas confesso que me sentia mal quando a TV focalizava corintianos e corintianas abatidos, alguns aos prantos. Pensei: que culpa temos nós, torcedores e amantes do futebol?; que culpa temos nisso, merecemos isso? Merecemos Kias, Dualibs, Euricos e tantos outros “espertos”? Não, não merecemos nada disso.
Não nos esqueçamos nunca: quem perde não é o Corinthians – quem perde é o futebol brasileiro, cada dia mais sujo, cada dia mais sucateado por pessoas que nada tem a ver com os milhões e milhões de verdadeiros apreciadores do futebol.

Musicomunicando

No universo da comunicação, também temos a música. Por ela, exprimem-se sentimentos, conquistam-se nações (até mesmo em estádios lotados), realizam-se "viagens", manifestam-se ideologias...
O músico, tomado pela inspiração divina, prepara suas mãos, seus pés, sua boca, sua garganta para encher o mundo de barulho, tal qual o pintor com seus quadros ou o jornalista com seus artigos (olha a gente aí!).

Porém, caro leitor, voltemos um pouco na estória. Voltemos ao pré-momento do início do espetáculo, no qual o músico se prepara e sua barriga dói de nervosismo - mesmo se o show for pequeno, só para os amigos, afinal, "herrar é umano".

Fiz esta reflexão depois de me apresentar em julho passado com algumas bandas que toco em Monte Sião. Antes de começar o show, estava eu sentado num canto do camarim, observando a concentração dos meus amigos músicos, que faziam seus últimos ajustes em seus instrumentos musicais (bateria, guitarra, violão e baixo). Como sou tecladista, "meu filho" já estava montado no palco, todo programado, esperando-me.

Achei engraçado! Parece que o tecladista não tem este momento de intimidade com seu instrumento minutos antes de tocar no palco - coisa que os baixistas e guitarristas têm (até mesmo o baterista, já que ele carrega suas baquetas). Por isso, a relação de confiança entre o teclado e o tecladista deve ser grande. Para comprovar isso, espiei por uma brechinha da porta do camarim e lá estava ele: o meu teclado, quietinho, me aguardando. Parecia um pai esperando por seu filho ou o namorado esperando pelo seu amor.

De repente, um grito: "Marcelo! Vamos! Tá na hora do show!" Acordei da reflexão. Era chegada a hora! Os filhos dos homens seriam entregues nas mãos dos músicos (e o som seria entregue aos ouvidos dos espectadores).


Lá embaixo, gritos, urros e aplausos. No palco, umas poucas microfonias. E música por todo o espaço.

PS: enquanto escrevia este texto, naquele momento da tal "concentração", lembrei-me destes alunos de Processo III (sim, vocês, meus caros amigos da Facom!) se concentrando antes daquela gravação do comentário. Lembram? Alguns faziam de conta que a parede era uma câmera, outros decoravam seus textos e falavam sem parar... É isso aí! Mais outra metade de curso e, brevemente, tocaremos nos palcos do jornalismo.

Escola Inesperada

Alguns dias atrás eu e um grupo de amigos visitamos a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, um bairro simples e periférico de Juiz de Fora, com todas as suas pobrezas e nobrezas, para fazer um trabalho da universidade.
A idéia era que assistíssemos à uma gravação do programa Mosaico, da Produtora Multimeios da UFJF, o qual havia sido filmado no próprio bairro, juntamente com alguns moradores do local, um grupo que apareceu no programa e outro que não e, logo após, conversar com eles sobre suas participações.
Infelizmente não pude estar na primeira parte do trabalho, na qual o grupo conversou com aqueles que não haviam participado, mas o que realmente foi importante, o que torna esse momento digno de ser lembrado, aconteceu na conversa com as pessoas mais simples, aquelas que eram os “astros” do Mosaico.
Eu imaginava que a conversa acabaria em “adorei aparecer na tv”, ou “nossa, que vergonha de aparecer na tv” mas o que eu tive foi uma aula de quem deve ser o jornalista.
Ao contrário do que eu podia imaginar aquelas pessoas simples viram em nós, simples estudantes de comunicação social, o único meio de serem ouvidos e saírem de sua condição de marginalizados.
A conversa saiu do tema do programa e acabou nos problemas da comunidade e na política, como a prefeitura havia esquecido daquele bairro e como era a vontade de uma vida melhor que eles possuíam.
Eu, por outro lado, insensível, egoísta, algemado em minha única preocupação, terminar aquele trabalho, fazia questão de voltar o foco da conversa para o trabalho, cortando as denúncias e pedidos que aqueles dois guerreiros da vida faziam insistentemente, tapando os ouvidos para aqueles que gritavam por socorro.
Que grupo de futuro de jornalistas que estavam ali, se escondendo atrás de sua condição de estudantes, que diziam não poder ajudar mesmo sabendo, no fundo, no fundo, que alguma coisinha, mínima que fosse, eles poderiam fazer.
Essa é a nossa tão exalada (por nós mesmos) “função social”, dar voz àquele que precisa, não passar dias apontando a sua câmera para o lar de um assessor de algum senador qualquer esperando que ele, no seu reduto de privacidade cometa uma gafe e seja considerado inapto a ocupar seu cargo por que deu um arroto à mesa.
E que assim seja.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Não me engana porque eu não gosto

Na última terça-feira foi anunciada, em diversas mídias, a notícia de que o Brasil estaria no grupo de países com alto desenvolvimento humano, ou seja, o seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alcançou 0,8 ponto (em uma escala de 0 a 1).
Para o país ter chegado ao nível das nações com alto desenvolvimento, foram avaliados indicadores como educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (expectativa de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). É claro que isso causou ofuror levando até o presidente do nosso país, Luiz Inácio Lula da Silva, comemorar com grande pompa a nova marca alcançada pelo governo.
Quem habita o Brasil sabe muito bem que o Brasil está longe de ser comparado com países como Islândia, Noruega, Austrália, Canadá e Irlanda, que lideram a lista do IDH. Pode-se desconfiar que ou a ONU usa de métodos pouco efetivos para chegar a essa classificação, ou os dados encontrados no nosso país são forjados.
Ao começar pela educação, é evidente o sucateamento da área, mesmo se apresentando altos índices de matrícula e aprovação. O país não possui infra-estrutura suficiente (vide vários lugares do Brasil onde as unidades escolares estão em péssimo estado), usa-se de critérios avaliativos duvidosos, onde os alunos passam de uma série a outra sem ter o aproveitamento adequado, e salários insuficientes para os responsáveis diretos da alfabetização brasileira, no caso, professores e funcionários. Todos nós sabemos, sem qualquer dúvida ou hipocrisia, que para se ter uma educação digna no país é preciso condições financeiras para bancar os colégios e cursos particulares.
Outro indicador considerado pelos avaliadores do IDH, é a longevidade da população brasileira. É óbvio que se tem muitos idosos com perfeitas condições de saúde em um universo de 180 milhões de pessoas, mas esse indicador desconsidera totalmente a violência que mata mais de 200 cidadãos por mês e a fome das regiões mais pobres do país, que extermina milhares por ano. Não se pode, de maneira alguma, avaliar a longevidade em um país onde os níveis de violência são altíssimos, e a população não condições de vida para levar o dia a dia com dignidade. Além de hipócrita, chega a ser desumano desconsiderar o grande contingente de pessoas que passam sérias dificuldades em nosso país.
O último critério avaliado pela ONU para dar a pontuação aos países é a renda, avaliada a partir do Produto Interno Bruto (PIB). Sim, o Brasil possui um PIB de 2,3 trilhões de reais, mas sabemos que nosso país é considerado um dos piores distribuidores de renda do mundo. Apenas 1% da população concentra em suas mãos boa parte do dinheiro que circula, ao mesmo tempo em que a classe média luta para pagar ao governo os altíssimos impostos, e os mais humildes procuram condições para almejar uma mobilidade social.
Tudo que foi falado não se pode achar em dados estatísticos e livros, porém pode-se comprovar com a mais fiel das avaliações: o olhar. Todo cidadão brasileiro vê e sente que o país precisa de constantes e maiores melhorias que possibilitem ao cidadão condições de sobrevivência. A cultura mais comum encontrada nos homens que coordenam a política brasileira é “tampar com a peneira” todos os problemas existentes, passando para a população que tudo está sob controle. Entretanto, o que eles não sabem, é que o estado de satisfação dos cidadãos vai muito além do que a mídia e os governantes relatam: eles sentem na própria pele as mazelas, e querem mudanças logo. Tratar com hipocrisia ou medo os problemas existentes no país, por mais que ele esteja em primeiro lugar no IDH, só levam a um caminho: o desespero.

Investimento de Risco

A reportagem apresentada pelo Jornal Nacional da TV Globo, na segunda-feira (26), mostrou que vereadores, prefeitos e assessores brasileiros viajaram para um congresso em Buenos Aires (Argentina). Até aí nenhum problema: São de conhecimento geral as andanças de nossos políticos. O ato se torna corrupto quando, mesmo com o cancelamento da programação, os políticos aproveitam a estadia e a oportunidade para passearem e fazerem compras... e a população fica responsável pelas contas.
A felicidade nada disfarçada da presidente da Câmara Municipal de Matozinhos (MG), Alessandra Alves Pinto (PPS) ao receber a notícia do cancelamento do congresso, indigna um povo que vê o Brasil no grupo de países com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas que não enxerga em seu cotidiano as melhorias apontadas por tal classificação. Talvez elas não sejam evidentes porque a verba destinada para o melhoramento de nossa qualidade de vida esteja sendo usada de forma incorreta.
Investir na capacitação de nossos políticos não é uma má idéia; chega a ser uma necessidade. No entanto, eles também devem estar dispostos e interessados em tornar nosso país mais capacitado, investindo em nossa população. E ela não exige viagens internacionais: Basta saúde, educação e empregos de qualidade para que o Brasil chegue ao topo da lista de IDH e esse fato seja realmente reconhecido pelos cidadãos. Mas para isso, é preciso parar de brincar com o dinheiro público.

Eva Indecorosa

Eva é o tipo de mulher moderna e avançada para sua época, na verdade, a única. Ela nasceu num dia em que, Adão, seu amigo, acordou com aquela dor nas costas. Acordou no condomínio Jardim do Éden, aonde o slogan dizia “A perfeição ao seu alcance”, e levavam isso ao pé da letra. Cozinha aberta 24 horas por dia, cachoeiras em temperatura ambiente e brisas de ar fresco. Viviam em pleno contato com a natureza, ou seja, viviam de sombra e água fresca, debaixo da árvore mais chique do condomínio.
Eva não tinha do que reclamar, seu corpo era perfeito, busto 90, cintura 60, quadril 110, um avião. Sem nenhuma celulite ou estria pra contar história, nunca pisou numa academia, estava sempre no mesmo peso, comendo de tudo. Quando acordava, seu cabelo estava perfeito, sem um fio fora do lugar, sem olheira ou cara amassada. Fora, que parecia sempre estar com a mesma idade, 25 anos, praticamente uma filhinha de papai.
Adão, homem que só ele, só pensava em futebol, jogando sempre uma partida , com um coco no lugar de uma bola, no time dos sem pêlo versus com. Entendiada, mimada que só ela, bancou a rebelde e contrariou a de seu pai, e resolveu virar amiga da cobra, ou melhor, da serpente, mais conhecida como Tonhão.
- E aí, Tonhão, tudo bem?
- Tudo, chegou bagulho novo no pedaço. É o fruto proibido.
- Tipo assim, o fruto é irado?
- É isso aí.
Eva sempre chegada em novidade, foi lá e contou o babado novo para o Adão. Adão não pensou duas vezes, e foi assuntar sobre o acontecido.
- Já contaram sobre o bagulho.
- Tá afim de dar uma mordida?
Sedendo à tentação, foi lá e deu um teco na maçã, mas foi pego no flagra por seu pai. E como castigo, cortou dele, e Eva suas regalias, e o mandou ir trabalhar. Adão passou a ter uma amizade colorida com Eva, que engravidou. Se casaram, e como de praxe, Eva engordou, ganhou celulite e estrias, e virou dona de casa.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

1408 cumpre seu papel com roteiro convincente


Há algumas semanas em cartaz representando o gênero do terror, 1408 vem assustando platéias em todo o país. O filme se mantém entre os 5 mais vistos do Brasil de acordo com o site http://www.adorocinema.com.br/.
1408 conta a história de Mike Enslin (John Cusack), um renomado romancista que escreve sobre suas aventuras em locais supostamente mal-assombrados, sempre visitados afim de provar que fantasmas e assombrações não existem. Isso até conhecer o quarto 1408 do Dolphin Hotel, onde 56 pessoas haviam morrido pelos mais diversos motivos. Curiosamente, o escritor recebe como tentativa de fazê-lo desistir de hospedar-se no quarto, uma garrafa com uma bebida rara e antiga, cujo nome é “Las 57 muertes”.
Enslin é aconselhado pelo gerente do Hotel, Gerald Olin (Samuel L.Jackson), a não se hospedar no quarto, mas, como sempre, não segue o conselho e entra. Ao longo do tempo começa a ter alucinações que tentam induzi-lo a cometer suicídio e visões de fantasmas e pessoas mortas, inclusive sua filha Katie (Jasmine Jessica Anthony). Ele começa a lutar contra as alucinações, desconfiando que o próprio Olin o tenha drogado para causá-las, até que sai do quarto com vida.
Um roteiro forte de um gênero ingrato como o terror é difícil de se obter. Ou se consegue causar medo de verdade, ou se cai no ridículo. Mas ao que parece a obra de Stephen King serviu bem aos roteiristas, que conseguem manter sempre o nível de tensão do espectador. Talvez o ponto fraco sejam os efeitos dos fantasmas, que fizeram o filme correr o risco de se ridicularizar.
Embora talvez John Cusack não fosse o nome ideal para segurar um filme praticamente todo sozinho, como aconteceu neste caso, e talvez pudessem ter havido algumas alterações com relação a takes e ângulos, que o diretor Mikael Hafström preferiu não utilizar, o filme cumpre seu papel de assustar o espectador, que pode esperar uma boa sessão de aflição e angústia ao sentar na poltrona do cinema para assistir 1408.
Outro aspecto interessante do filme é que as passagens de alucinação do protagonista não são em momento algum explicadas de forma clara, permitindo ao espectador uma "viagem" sobre o que realmente aconteceu no quarto 1408 no período em que Mike esteve lá.

Brasil 2014, sim!


Finalmente está confirmado que o Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014. Agora a responsabilidade é entregar o país em ordem e seguro até 2013, pronto para o evento esportivo mais caro do planeta.
Mesmo tendo um alto custo, a Copa de 2014 poderá trazer muitos benefícios ao nosso país, tanto de infra-estrutura como também alegria e satisfação para um povo, que em sua maioria, nunca teria oportunidade de presenciar um evento esportivo, deste porte, de perto. Nesse aspecto de emoção, a Copa tem grande importância, ainda mais para um país que pára na época deste mundial para assistir aos jogos da seleção Brasileira.
Enquanto jornais estrangeiros anunciam a confirmação da sede da Copa, com críticas ao Brasil, citando vários gastos que o país terá e também problemas de organização, aqui no país só se vê benfeitorias a nosso favor. Visto que além de investimentos privados, a Fifa provavelmente injetará 400 milhões de dólares. Tudo isso para melhorar as condições dos estádios de futebol, e também a infra-estrutura de várias cidades brasileiras.
Se tudo que foi prometido para a Fifa for cumprido, com certeza o Brasil só terá ganhos com a Copa de 2014, a exemplo, melhoria dos transportes, até a criação do trem-bala que fará a ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo, e também a finalização de três usinas do Complexo do Rio Madeira foram incluídas pelo governo, para que o país não tenha problemas com apagões. O legado que será deixando só trará benefícios ao povo. Portanto, agora é hora dos políticos e do governo brasileiro encararem com seriedade e com firmeza os desafios que virão pela frente, cumprindo tudo o que foi prometido para a Fifa.Tirando assim, a má impressão que o país leva para exterior, por causa de corrupção e desvio de verba. Está na hora de mostrar que somos capazes e que conseguimos abrigar um evento de tamanho porte, como a Copa do Mundo.