sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Serra abaixo

Minha avó sempre me disse que, quando passamos dos 20, os anos descem a serra voando e quando você percebe já está trintando. Ainda estou um pouco longe disso, mas, à beira dos 21, começo a lembrar de tudo que vivi e confesso: como o tempo passou rápido!
Parece que foi ontem que, prestes a fazer 18 anos, fui para Porto Seguro de excursão, longe dos olhos e dos cuidados de qualquer adulto. Sensação de liberdade descompromissada; só precisava me preocupar em administrar bem meu dinheiro com os passeios e com as bebidas. Depois veio a formatura: responsabilidade das grandes! Não é fácil organizar um acontecimento desses para mais de 300 pessoas, tanto que não soube dosar essa responsabilidade com as outras: estudo e até mesmo aproveitar a própria festa.
Vivendo e aprendendo! E por falar em aprender, não dá para esquecer a fase do cursinho. Todos deveriam passar por ela. Tudo se resume em duas palavras: crescimento e maturidade. São amizades novas, incertezas que colocam à prova sua vontade de conseguir e a necessidade de abrir mão de algumas coisas para se conseguir aquilo que deseja. É só nessa fase que muitos descobrem que a vida não é fácil, que ela é feita de escolhas e que “cada escolha é uma renúncia”, como já diziam nossos amigos do Charlie Brown Jr..
Vitória! Aí descobrimos que alguns sacrifícios valem a pena. Como é gratificante receber “parabéns, você passou no vestibular”! Melhor ainda é entrar nesse mundo totalmente novo que é a universidade, onde as amizades são diferentes, a forma de ver as coisas é diferente, enfim, uma chuva de novidades que nos adaptamos rapidamente e que ficamos até tristes quando pensamos que um dia ela vai acabar. Porque só universitário economiza no ônibus para compensar na cerveja, dá o nome de churrasco para uma festa sem carne, vai para a aula virado depois de uma festa e tira foto de “bundas”, em frente a um bar, sem vergonha daqueles que estão olhando. O universitário não tem medo de “fazer feio”. O universitário faz e acontece.
Fase boa essa! Mas é a época em que começamos a olhar mais para nós mesmos e pensar em nosso futuro. É a hora que bate aquele medo de não conseguir ser “gente grande” e assumir todas as responsabilidades que nos aguardam. Há um abismo enorme que separa o adulto seguro do que quer da criança com medo de dar o primeiro passo e cair, não ir adiante.
Se a serra tivesse descido mais um pouquinho, eu iria dizer que essa é a conhecida “crise da meia-idade”. Mas não. É aquela época do ano em que você, novamente, faz um balanço do que aconteceu, se lamenta por algumas coisas, fica satisfeito com outras e já começa a planejar o próximo ano. Acha que está ficando velho, que as coisas no seu tempo eram melhores e se gaba por ter boas histórias para contar para os netos. Mas como isso ainda está longe de acontecer, você desliga o computador, sai de casa e vai para a mesa de um bar. Afinal, filosofar também é coisa de universitário e você ainda precisa de histórias para contar, pois ainda tem muita serra pela frente.

2 comentários:

Laila Hallack disse...

adoreeei naissa!!!!!mto!!

Anônimo disse...

Perfeeeeeeita a sua cronica Naissa!!
C tava inspiradaaassa com o niver, hein??
Parabeeeens (pelos 2)! hehehe
Beijooo!