Na última segunda-feira o corpo de uma menina de cinco anos foi encontrado na calçada, em Arraial do Cabo, cerca de 160 quilômetros do Rio de Janeiro. A perícia apontou sinais de violência e, ao que tudo indica, a garota foi abusada sexualmente e morreu sufocada por um saco plástico. A mãe da garota havia saído com ela para uma festa e quando voltou do banheiro, não encontrou mais a filha. Ninguém viu nada.
Na mesma semana, o caso mais divulgado era o da menina que dividiu uma cela com homens no Pará. O delegado que a manteve presa, alegou que a menina devia ter algum tipo de debilidade mental por não ter falado em nenhum momento que era menor de idade.
Nos dois casos percebemos a facilidade que é cometer um crime e corromper o sistema: a impunidade já se tornou perigosamente comum. No país de Renan Calheiros, fica fácil se desculpar, esconder, dar um “jeitinho”. Não sabemos ao certo quem pagará por esses e tantos outros crimes que vemos nos jornais todos os dias.
O pior disso tudo é que apenas nos indignamos com aquilo que vemos. E o que chega até a população é justamente aquilo que alguém tem interesse que tenhamos conhecimento. A tal da Agenda Setting, fruto de nosso jornalismo tão parcial e que nos manipula sem que possamos nos dar conta. Amanhã ninguém mais vai se lembrar das mulheres no Pará, dos apagões aéreos, de casos como o do menino João Hélio, de senadores que nos roubam...
Engana-se quem pensa que o que acontece no mundo se vê pela televisão, que para se informar, basta ler mais de um jornal, a revista do mês e discutir assuntos relevantes da semana no trabalho. A verdade está muito mais perto, escancarada nas portas de nossas casas, no mendigo que te pede esmola, na falta de troco do comércio, nas pessoas furando filas, no professor que falta a aula. Só não vê quem não quer.
Bastou a crise aérea ser divulgada para uma série de reportagens especiais serem veiculadas sobre o assunto. Na mesma época, algumas mulheres estavam lá no Pará sofrendo em celas masculinas, mas ainda não era conveniente falar sobre esse assunto. Agora, enquanto você lê este texto, tem várias crianças sofrendo abusos, mães perdendo filhos, jovens dirigindo embriagados, gente sem ter o que comer e políticos realizando alguns acordos que futuramente causarão algumas CPIs. Para quem viveu de perto qualquer uma dessas notícias a realidade não é a de estatísticas. São vidas em jogo. À população, resta esperar para saber quais assuntos estarão em voga para que ela cumpra depois o seu papel demonstrando a sua indignação, seja por meio de discussões, seja por movimentos de uma elite que se diz “cansada”. O jornalismo inventou um sistema que vende: nos entretém (muitas vezes chocando) com histórias da vida real, que ainda assim de alguma forma temos distância, mas pára no momento em que a realidade começa a se aproximar demais.
Na mesma semana, o caso mais divulgado era o da menina que dividiu uma cela com homens no Pará. O delegado que a manteve presa, alegou que a menina devia ter algum tipo de debilidade mental por não ter falado em nenhum momento que era menor de idade.
Nos dois casos percebemos a facilidade que é cometer um crime e corromper o sistema: a impunidade já se tornou perigosamente comum. No país de Renan Calheiros, fica fácil se desculpar, esconder, dar um “jeitinho”. Não sabemos ao certo quem pagará por esses e tantos outros crimes que vemos nos jornais todos os dias.
O pior disso tudo é que apenas nos indignamos com aquilo que vemos. E o que chega até a população é justamente aquilo que alguém tem interesse que tenhamos conhecimento. A tal da Agenda Setting, fruto de nosso jornalismo tão parcial e que nos manipula sem que possamos nos dar conta. Amanhã ninguém mais vai se lembrar das mulheres no Pará, dos apagões aéreos, de casos como o do menino João Hélio, de senadores que nos roubam...
Engana-se quem pensa que o que acontece no mundo se vê pela televisão, que para se informar, basta ler mais de um jornal, a revista do mês e discutir assuntos relevantes da semana no trabalho. A verdade está muito mais perto, escancarada nas portas de nossas casas, no mendigo que te pede esmola, na falta de troco do comércio, nas pessoas furando filas, no professor que falta a aula. Só não vê quem não quer.
Bastou a crise aérea ser divulgada para uma série de reportagens especiais serem veiculadas sobre o assunto. Na mesma época, algumas mulheres estavam lá no Pará sofrendo em celas masculinas, mas ainda não era conveniente falar sobre esse assunto. Agora, enquanto você lê este texto, tem várias crianças sofrendo abusos, mães perdendo filhos, jovens dirigindo embriagados, gente sem ter o que comer e políticos realizando alguns acordos que futuramente causarão algumas CPIs. Para quem viveu de perto qualquer uma dessas notícias a realidade não é a de estatísticas. São vidas em jogo. À população, resta esperar para saber quais assuntos estarão em voga para que ela cumpra depois o seu papel demonstrando a sua indignação, seja por meio de discussões, seja por movimentos de uma elite que se diz “cansada”. O jornalismo inventou um sistema que vende: nos entretém (muitas vezes chocando) com histórias da vida real, que ainda assim de alguma forma temos distância, mas pára no momento em que a realidade começa a se aproximar demais.
2 comentários:
Exceleeeente Gihana!
Eu adorei!
Beijoo!
Pois é Gihana, o Álvaro não cumpriu com sua palavra eo desejo de integrar esta sala via blog evaporou-se de vez!
;)
=**
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