quinta-feira, 29 de novembro de 2007

A derrota dos livros no Brasil

Muito se tem discutido acerca da educação em nosso país. Críticos questionam o fato de grande parte do orçamento disponível ser gasto com o Ensino Superior, em detrimento do Ensino Fundamental, que é a base da pirâmide educacional e onde está a maior parcela da massa estudantil nacional. Apesar dos altos investimentos nas universidades, o Brasil não é reconhecido mundialmente por sua capacidade em formar cientistas e elaborar pesquisas. Além disso, não temos entre a maioria de nossos estudantes um interesse acadêmico. Todos querem se formar, sair da faculdade e arranjar um emprego sólido “lá fora”. Os jovens estudam para passar no vestibular e arranjar um bom trabalho. Somos guiados pela lógica do trabalho. Todos admitem a importância do estudo nos dias de hoje, mas com uma visão mercadológica, afinal quem não estuda perde a vez no mercado, cada vez mais concorrido. Poucos são os que se dedicam ao estudo como forma de obter conhecimento e crescimento humano. A taxa média de leitura entre a população brasileira está entre as menores do mundo. Percebemos, logo, que o Brasil não possui um pensamento cultural arraigado entre sua população.
Primeiramente, devemos dizer que o brasileiro não possui uma cultura letrada. Somos o povo da telenovela. Grande parte da população prefere se informar assistindo Jornal Nacional a ler um jornal impresso. O processo audiovisual é mais prático e de fácil assimilação. Não exige comprometimento total. Podemos assistir TV ao mesmo tempo em que telefonamos, conversamos com a mãe, ou fazemos qualquer outra coisa. A leitura exige quase que total exclusividade. Outro fator que impede o crescimento do hábito de leitura é o preço abusivo dos livros, inacessíveis à maioria da população. Outra vez, ponto para a TV, presente em mais de 90% dos domicílios. Por que comprar um livro se a televisão também oferece entretenimento, e ainda por cima gratuito? Por essas e outras que, em um recente estudo sobre hábitos de leitura, o Brasil ocupou a 27º posição entre 30 países, pois o brasileiro dedica-se apenas 5,2 horas semanais à leitura.
Portanto, vemos que a falta de vontade de ler é, sobretudo, um problema cultural em nosso país. Com a universalização do acesso à internet, a leitura pode se tornar um hábito mais comum nas residências. O conteúdo disponível na rede é imenso, atingindo todos os tipos de gostos e anseios que o internauta possa ter. Entretanto, apenas a disponibilização de conteúdo não é suficiente para insuflar o hábito da leitura. Para que isso ocorra, é necessário uma mudança de visão desde a infância. Ao invés de darmos bonecas e carrinhos de presente para nossos filhos, por que não damos livros com historinhas ilustradas? Por que não nos sentamos com eles para ler, ao invés de sentarmos para jogar videogame? Assim, eles se acostumariam desde cedo com os livros, tornando-se adultos letrados e mais intelectualizados. Essa seria a melhor maneira de promover a leitura e incorporá-la à nossa cultura.

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