quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Escola Inesperada

Alguns dias atrás eu e um grupo de amigos visitamos a comunidade de Nossa Senhora Aparecida, um bairro simples e periférico de Juiz de Fora, com todas as suas pobrezas e nobrezas, para fazer um trabalho da universidade.
A idéia era que assistíssemos à uma gravação do programa Mosaico, da Produtora Multimeios da UFJF, o qual havia sido filmado no próprio bairro, juntamente com alguns moradores do local, um grupo que apareceu no programa e outro que não e, logo após, conversar com eles sobre suas participações.
Infelizmente não pude estar na primeira parte do trabalho, na qual o grupo conversou com aqueles que não haviam participado, mas o que realmente foi importante, o que torna esse momento digno de ser lembrado, aconteceu na conversa com as pessoas mais simples, aquelas que eram os “astros” do Mosaico.
Eu imaginava que a conversa acabaria em “adorei aparecer na tv”, ou “nossa, que vergonha de aparecer na tv” mas o que eu tive foi uma aula de quem deve ser o jornalista.
Ao contrário do que eu podia imaginar aquelas pessoas simples viram em nós, simples estudantes de comunicação social, o único meio de serem ouvidos e saírem de sua condição de marginalizados.
A conversa saiu do tema do programa e acabou nos problemas da comunidade e na política, como a prefeitura havia esquecido daquele bairro e como era a vontade de uma vida melhor que eles possuíam.
Eu, por outro lado, insensível, egoísta, algemado em minha única preocupação, terminar aquele trabalho, fazia questão de voltar o foco da conversa para o trabalho, cortando as denúncias e pedidos que aqueles dois guerreiros da vida faziam insistentemente, tapando os ouvidos para aqueles que gritavam por socorro.
Que grupo de futuro de jornalistas que estavam ali, se escondendo atrás de sua condição de estudantes, que diziam não poder ajudar mesmo sabendo, no fundo, no fundo, que alguma coisinha, mínima que fosse, eles poderiam fazer.
Essa é a nossa tão exalada (por nós mesmos) “função social”, dar voz àquele que precisa, não passar dias apontando a sua câmera para o lar de um assessor de algum senador qualquer esperando que ele, no seu reduto de privacidade cometa uma gafe e seja considerado inapto a ocupar seu cargo por que deu um arroto à mesa.
E que assim seja.

4 comentários:

Laila Hallack disse...

Que isso!! O primeiro texto que li e já me surpreendi. Muito bom mesmo! Parabéns Rodrigo, adorei de verdade!
Beijos!

Anônimo disse...

Exceleeeeeeente Xerox...
Ate prq eu me identifiquei (infelizmente) com a parte egoista do trabalho.
Parabeeens!
Beijo

Marcelo Martins disse...

Segunda-feira, 20 e outubro de 2013: Inaína, S. Pedro e cia são entrevistados por jornalistas formados na facom...

Anônimo disse...

Hauhauahuaa...
Boaaaaa Marlao!